sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O Homem e a Ovelha


O homem e a ovelha

Havia um homem muito religioso, na medida do possível. Claro que ele tinha lá seus pecados, mas os considerava pequenos defeitos que faziam parte de sua personalidade, ou seja, do seu desenvolvimento como pessoa. Também dizia:
- Para que serviria Deus na minha vida, se eu não tivesse pecados para serem perdoado? - sempre o dizia de bom humor.
Mas o que ele considerava com pecado mortal, ou seja, o erro que o predestinaria ao inferno, seria faltar à missa, por isso, todos os domingos, religiosamente sagrado, ele participava das missas e percorria muitos quilômetros de sua casa humilde, até a igreja. Eram quase uma hora de caminhada.

Nem isso o fazia desistir, pois sua fé era grande em acreditar que, se faltasse à missa, perderia o direito de ir para o céu, indo direto para o inferno, pois foi isso que a religião o fez acreditar: que fazendo sua parte e ajudando à igreja à evangelizar, ele alcançaria o céu. E ele acreditava que de nenhuma outra forma isso aconteceria, bem como acreditava que aqueles que faltavam, ou que não tivessem uma religião definida, ou até que fossem de uma determinada religião que considerava errada, iria direto para o inverno.
Pois bem... certo domingo, seguia ele para a igreja, quando no caminho, ainda bem longe de chegar, ele encontrou uma ovelha já agonizando de cede. Estava há alguns metros de um pequeno lago e havia uma lata, que estava furada, nas proximidades da água.
Não tinha como levar o bicho, já que era muito pesado, então ele decidiu pegar água na lata e levar até o animal, mas durante o percurso, a água escorria pelo furo, restando pouco dentro do objeto, o que fez o homem demorar mais de uma hora para saciar a cede do animal, mas quando conseguiu, sentiu-se feliz e realizado, porém só depois se deu conta que havia faltado à missa. Voltou pra casa triste e decidiu que nunca mais nada o faria faltar à missa novamente. E realmente cumpriu.
Certo dia, chegou à falecer, já muito velhinho e foi para a porta do céu. Lá encontrou São Pedro questionando outras almas e esperou chegar sua vez.
- Seu José Maria... - a voz de São Pedro ecoou no local e o homem se aproximou – Por que você merece o céu? - o santo quis saber e a resposta foi imediata:
- Porque eu sempre cumpri com minhas obrigações eclesiais e nunca faltei à missa! - o homem disse cheio de orgulho e já podia sentir o gostinho do Reino de Deus, mas Pedro o indagou:
- Tem certeza que nunca faltou à missa? - ergueu uma sobrancelha após olhar a ficha de seu Zé.
Então o homem entristeceu, deixando seus ombros caírem e respirou profundamente pesado ao lembrar-se do dia que ajudou a ovelha. Não que estivesse arrependido de tê-lo feito, mas sabia, de acordo com o que aprendera na igreja, que Deus é justo e julgaria com justiça, então confessou:
- Sim senhor. Eu faltei à missa. - sua voz saiu num sussurro.
- Mas por que você faltou à missa, seu Zé? - pousou as mãos nas cadeiras e o olhava curioso.
- Para ajudar uma ovelha que estava cheia de cede. - então deu às costas cheio de pesar e seguiu – Eu sinto muito mesmo por não ter obedecido Deus e...
- Mas espera, seu Zé! - num salto São pedro já estava na sua frente e disse:
- Só quero que você saiba que esse seu gesto foi o que lhe deu 80% de chance de estar no céu. Vá! - ele carimbou a ficha de seu Zé, que de início não entendeu nada, mas durante o percurso, um anjo lhe explicou:
- A religião é importante, mas não serve de nada se não houver o amor aos irmãos e a caridade. Esse seu gesto de amor para com a ovelha, sem querer ou desejar algo em troca, valeu muito mais do que muitas coisas que você acreditava serem a vontade de Deus. Não estou dizendo que ser de uma religião é pecado ou coisa ruim, muito pelo contrário, é preciso buscar Deus e a religião é o melhor lugar onde você pode encontrá-lo, mas não quer dizer que uma pessoa que não freqüente uma determinada igreja não seja amada pelo pai, pois ela sempre será, porque todos são amados pelo pai, não por amarem Ele, mas por Ele os terem amado primeiro. Acho que os humanos deveriam se preocuparem em ser a igreja de Deus, do que estarem na igreja.

domingo, 25 de abril de 2010

O boneco de sal


O Boneco de Sal



Era uma vez um boneco de sal que queria descobrir o sentido da vida e da morte. Ele queria realizar sua identidade: ser ele mesmo. Ele queria tornar patente seu vigor latente. E pensou: "Para eu me tornar eu mesmo, tenho que sair de mim, encontrar e medir-me com alguém distinto de mim". E começou a procurar com determinação. Fez até voto de não desistir de caminhar enquanto não encontrasse uma resposta convincente para a pergunta que sempre de novo nascia dentro dele: "Vale a pena viver?"

Dia após dia, o boneco atravessou planícies e planaltos, subiu e desceu montes e colinas, curtiu a dor da solidão e o calor do deserto. Experimentou as crises, carregou as cruzes, provou as surpresas, os perigos, as quedas, avançou e recuou de uma viagem realizada com os pés no chão e o olhar sempre adiante... Um dia, quando menos esperava, o boneco avistou o Mar. Jamais ele tinha visto o Mar. Por isso não o conhecia. Nem podia compreende-lo. No entanto, movido pela necessidade, aberto pela admiração, premido pela angústia diante do desconhecido, perguntou:

- Quem és tu?

- Eu sou o Mar.

- O Mar?... E quem é o Mar?...

- Sou eu!

- Não consigo entender, disse o boneco, mas gostaria muito. O que devo fazer?

- É muito simples, disse o Mar, toca-me!

O boneco se aproximou do Mar e, timidamente, o tocou com a ponta dos pés. Começou a sentir que o Mar se tornava compreensível. Começou a conhecê-lo. Mas ao mesmo tempo deu conta que os seus pés tinham desaparecido...

- É Mar, o que me fizeste?

O Mar respondeu-lhe:

- Tu me deste algo de ti mesmo. Tu te entregaste a Mim!

O boneco então pôs o corpinho na posição justa (firme sem estar rígido), respirou fundo e começou a entrar lentamente, no Mar, como quem está realizando o gesto mais importante, o ato mais decisivo de toda a sua vida. Na medida em que emergia, sentia seu corpo transformar-se, ganhando assim uma forma nova. Na medida em que se entregava ao Mar, percebia em si uma nova alteração. Enquanto tudo isso lhe acontecia, o boneco prosseguia Mar adentro. Abandonava-se a ele. Sem reserva e sem retorno. Fraternizava-se com ele e continuava indagando: "Quem és tu?" Esse contato corpo-a-corpo com o Mar dissolvera quase totalmente a dureza do seu pequeno eu (egoísmo). No entanto, restava ainda a cabeça que é a última a "se entregar". Até que uma onda, sobrevindo de repente, o envolveu por completo. Por inteiro. E agora, emergindo daquele batismo, ressurgiu daquela morte, despojado de si e cheio do Mar, ele próprio pôde responder a partir da sua experiência e com entusiasmo: "O Mar? O Mar sou eu!"

Desde aquela hora o boneco deixou de ser apenas um boneco. Fora convertido pelo Mar num boneco de sal que entendia o Mar. Retomou o caminho de volta para sua terra e sua gente, agraciado com a dádiva do Mar: o sal. E começou a servir os outros bonecos humildemente, comunicando-lhes a alegria daquele encontro com o outro, o prazer daquela entrega ao Maravilhoso. Enquanto caminhava, dizia convicto e contente:

- "Não vivo mais solitário e triste. O Mar vive e ressoa em mim. Faço parte de sua natureza. Nós dois agora somos um! Pois quem me vê, entreve o Mar. E quem me conhece, conhece em mim o Mar!"

(Frei José Edilson Bezerra OFM)

Lorena

" Procura conviver entre pessoas que te
Ensinem a caminhar entre as estrelas;
Porém , quando encontrares a luz,
Não a negues aos que ficaram nas trevas"
(W. A. Petersen)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Eu ficaria de pé... e você?


VOCÊ FICARIA DE PÉ?

Esta é uma história verdadeira que aconteceu há alguns anos, na Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos.

Havia um professor de filosofia que era um ateu convicto.

Sempre sua meta principal era tomar um semestre inteiro para provar que DEUS não existe.

Os estudantes sempre tinham medo de argüi-lo por causa da sua lógica impecável.

Por 20 anos ensinou e mostrou que jamais haveria alguém que ousasse contrariá-lo, embora, às vezes surgisse alguém que o tentasse, nunca o venciam.

No final de todo semestre, no último dia, fazia a mesma pergunta à sua classe de 300 alunos:

- Se há alguém aqui que ainda acredita em Jesus, que fique de pé!

Em 20 anos ninguém ousou levantar-se.

Sabiam o que o professor faria em seguida. Diria : - Porque qualquer um que acredita em Deus é um tolo! Se Deus existe impediria que este giz caísse ao chão e se quebrasse.

Esta simples questão provaria que Ele existe, mas, não pode fazer isso!
E todos os anos soltava o giz, que caia ao chão partindo-se em pedaços.

E todos os estudantes apenas ficavam quietos, vendo a DEMONSTRAÇÃO.

A maioria dos alunos pensavam que Deus poderia não existir. Certamente, havia alguns cristãos mas, todos tiveram muito medo de ficar de pé.

Bem.... há alguns anos chegou a vez de um jovem cristão que tinha ouvido sobre a fama daquele professor. O jovem estava com medo, mas, por 3 meses daquele semestre orou todas as manhãs, pedindo que tivesse coragem de se levantar, não importando o que o professor dissesse ou o que a classe pensasse. Nada do que dissessem abalaria sua fé...
ao menos era seu desejo.

Finalmente o dia chegou. O professor disse:

- Se há alguém aqui que ainda acredita em Jesus, que fique de pé!
O professor e os 300 alunos viram, atônitos, o rapaz levantar-se no fundo da sala.

O professor gritou:
- Você é um TOLO!!! Se Deus existe impedirá que este giz caia ao chão e se quebre!
E começou a erguer o braço, quando o giz escorregou entre seus dedos, deslizou pela camisa, por uma das pernas da calça, correu sobre o sapato e ao tocar no chão simplesmente rolou, sem se quebrar.

O queixo do professor caiu enquanto seu olhar, assustado, seguia o giz.
Quando o giz parou de rolar levantou a cabeça.... encarou o jovem e... saiu apressadamente da sala.
O rapaz caminhou firmemente para a frente de seus colegas e, por meia hora, compartilhou sua fé em Jesus. Os 300 estudantes ouviram, silenciosamente, sobre o amor de Deus por todos e sobre seu poder através de Jesus.
Muitas vezes passamos por situações em que acreditamos que "nosso giz" vai quebrar, mas Deus, com sua infinita sabedoria e poder faz o contrário, por isso, você tem duas opções:


1- Acreditar em Deus

2-Ser um Tolo





EU ESTOU DE PÉ!!! Alguém me acompanha???

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A Borboleta


A borboleta é um símbolo da Páscoa, porque o processo de transformação pelo qual passa se parece com a história da morte e ressurreição de Jesus Cristo.
A vida das borboletas começa com os ovinhos. Uma borboleta é capaz de pôr até 500 ovos, do tamanho da cabeça de um alfinete. Depois de pôr os ovos, a borboleta morre.
Do ovo, posto numa folha de árvore, nasce uma pequena larva que se alimenta comendo as folhas onde se encontra. A medida que vai comendo, vai crescendo, até transformar-se numa lagarta que começa a produzir uns fios de seda parecidos com uma teia de aranha. Um por um ela vai tecendo esses fios até formar um casulo que fica pendurado num galho.
A lagarta fica dentro deste casulo, que mais parece uma folha seca e morta, pendurada, pronta para cair. Durante este período, ela vai se transformando, ate que, após duas ou três semanas, algo estranho começa a acontecer. O casulo vai sendo rompido, e dali sai uma linda borboleta, movendo todas as partes do seu corpo, para conseguir se libertar.
A lagarta, enquanto estava encolhida no seu casulo, deixou-se transformar numa borboleta para continuar a vida.
A borboleta, bela, colorida, cheia de vida, vai, como que em forma de dança, voando de flor em flor, misturando-se com o colorido e a vida das flores. Como se não bastasse a vida que ela representa, ainda promove a vida, pois na dança, à procura do néctar, a borboleta facilita o contato entre as plantas, realizando a polinização.
Jesus caminhou em direção à morte, como a lagarta que constrói o casulo. Ele também sofre e morre, mas, após alguns dias, causa espanto e alegria com a sua ressurreição, assim como a lagarta que se transforma em borboleta, causando impacto de vida em meio à natureza.
A ressurreição foi algo totalmente novo e inesperado. Ela revela o poder de Deus que vence a cruz e traz esperança às pessoas que têm fé. Deus ressuscitou seu filho, para demonstrar que é Deus dos vivos e que quer a vida.
A ressurreição de Cristo nos fortalece e nos leva a crer na possibilidade da transformação da vida de cada pessoa, da minha própria vida.
Como a borboleta, depois de receber uma nova vida, foi visitar as flores e levar o pólen de uma à outra, assim Deus, a partir da ressurreição, nos motiva a sermos solidários e agirmos em favor do próximo, não sendo lagarta que, ao comer, destrói a planta, mas sendo borboleta, que se lambuza com o néctar e o pólen, ajudando na continuidade da vida.
Embelezaremos assim o mundo, causando espanto e alegria. Páscoa é celebração da vida.

P. Elpídio e Marli Hellwig – O Caminho